Ubatuba sedia etapa do Campeonato Paulista de Pesca Subaquática

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No último sábado, 12, Ubatuba sediou a 5ª etapa do campeonato paulista de pesca subaquática, promovido pela Associação Paulista de Pesca Subaquática (Apps). Na ocasião, foram pescados 80 quilos de peixe – toda a quantidade foi repassada para a Santa Casa de Misericórdia de Ubatuba por meio do Fundo Social de Solidariedade.

No total, 22 atletas participaram da competição que teve duração de cinco horas – destes, sete são de Ubatuba e dois deles estão formando o ranking como segundo e terceiro colocados gerais do ano.

O presidente da Apps, Gabriel Barra, não foi o campeão da etapa, mas, devido ao desempenho nas demais fases, alcançou a primeira colocação e foi o Campeão Paulista. Oscaiçaras vice Wesley Mariano e Leandro Inocêncio ocuparam a segunda e a terceira posição, respectivamente.

O ranking do campeonato paulista forma a seleção de São Paulo para disputar os campeonatos brasileiros e as copas do Brasil, que são as portas para os campeonatos internacionais como o mundial e o panamericano. Além disso, os atletas que apresentam bom desempenho podem ser indicados para fazer parte do programa Bolsa Atleta, do Governo Federal.

“A parte mais importante do nosso campeonato é o destino do pescado. Como acontece em todas as etapas, todo pescado é doado. A gente sabe q na pandemia a situação estava difícil e o peixe veio num momento muito bom”, comemorou Barra.

Ele ainda comentou sobre a projeção da associação para promover mais ações solidárias. “Estamos, inclusive, com outros projetos de no futuro arrecadar alimentos não perecíveis nas demais etapas. Além disso, a gente se comprometeu com a APAMLN que, nas regiões onde realizamos as etapas, possamos promover um dia de “clean-up day”, que é a limpeza da praia, mas, nesse caso, recolher o lixo que fica no fundo do mar e, de repente, disputar quem faz a maior retirada”, disse.

“A Secretaria de Turismo está apoiando o esporte, trazendo mais atletas para nossa cidade e, ainda, promovendo a ação solidária de doação do pescado”, destacou o secretário de Turismo Alessandro Luís Morau.

Ubatuba

“Ubatuba é um sonho para todo pescador, seja artesanal ou esportivo. Além dos pontos de pesca serem de fácil acesso, tem, muito peixe. Principalmente para quem é pescador esportivo, a diversidade e muito grande”, afirmou Barra. Sobre as vantagens que o município oferece como sede da competição, ele ainda acrescentou que Ubatuba é considerada um dos melhores pontos de pescaria estado.  “Além do que, é uma cidade extremamente agradável, com receptividade muito boa, diversidade gastronômica e com logística bem viável para se organizar um campeonato. Sem contar o apoio da prefeitura, por meio das secretarias de Turismo e Pesca”.

Mais sobre a pesca subaquática

De acordo com Barra, a pesca submarina é a modalidade de pesca mais seletiva que existe na qual o mergulhador, em apneia, desce de 5m até 30 m para capturar o exemplar. “Ela é seletiva porque a gente consegue escolher o que quer capturar. Conseguimos selecionar as presas que já reproduziram e já não tem tanta fertilidade”, explicou.

Ele ainda comentou que, com a retirada de espécies como garoupa e caranha – restritos a pesca amadora por hora pela portaria 445 – de alvos como a pesca, o pescador foi obrigado a ser mais versátil e teve que aprender a capturar diversas espécies para conseguir ficar bem colocado. Só é permitido capturar um exemplar por mergulho e, para a pontuação, são levados em consideração fatores como: peso da peça, espécie e peça válida. Existe um limite de captura, que segue legislação de 15 kg mais um exemplar de qualquer tamanho

Barra exemplificou o baixo impacto por meio de seu desempenho na competição de domingo. “Eu fiz 116 mergulhos e capturei oito exemplares”, salientou.

Para a realização da prova, são definidas áreas amplas que sejam bem abrangentes justamente como um fator a mais de preservação de quantidade e espécies. Na competição do último fim de semana, os trechos delimitados foram:

Ilha da rapada

Lage grande

Mofinas

Parcel grande e Parcel do meio

Barra ainda lembrou que a Apps , composta de praticantes, colaboradores e diretores, preocupa-se com a adoção de práticas de gestão responsável em suas atividades de captura, respeitando os regulamentos vigentes e levando a divulgação a atualizações das leis referentes ao tema ao conhecimento de seus associados .

“Nosso esporte, nossa pescaria abate o peixe assim como qualquer outra modalidade de pesca, mas o foco é educar os praticantes a respeitar as cotas previstas em Lei. O campeonato é onde a gente reúne desde atletas mais experientes até os mais novos, com base em um regulamento que a gente procura inserir na vida do pescador essa postura restritiva na qual você educa e disciplina o praticante – o que não existe nas outras modalidades de pesca. Campeonato é disciplina e se você não segue as regras você é punido”, concluiu.

O diretor de Gestão de Meios Produtivos da secretaria de Agricultura e Pesca da Prefeitura, Leonardo Moraes, que também é conselheiro da Área de Proteção Ambiental Marinha Litoral Norte (APAMLN), confirmou que a pesca subaquática realmente tem uma captura controlada, com um limite de exemplares e de peso que é permitido pescar.

Entretanto, como mais um mecanismo de garantir que a prática cause o mínimo impacto ambiental possível, Moraes comentou que existe um regramento para pesca sub em que a APAMLN está trabalhando para esses campeonatos, além de uma serie de consultas que é necessário fazer antes de promover alguma etapa ou campeonato.

“Não acredito que esse tipo de iniciativa precisa ser inviabilizado, reconhecemos a importância da atividade, mas é importante um regramento específico considerando a nossa realidade, que é a Área de Preservação em que estamos inseridos. É importante o diálogo e ciência de todos os atores envolvidos”, afirmou Moraes.

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